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O CANTO DA HISTÓRIA: JOHN MALLARD  
 

Físico inglês (14 de janeiro de 1927-25 de fevereiro de 2021), que desempenhou um papel crucial no desenvolvimento de duas das mais importantes tecnologias médicas da era atual: a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons, bem como na evolução e progresso da física médica.

Ele nasceu em Kingsthorpe, Northampton, Inglaterra, obteve seu diploma de física da University College, Nottingham, então parte da Universidade de Londres, completando seu projeto de pesquisa sobre as propriedades magnéticas do urânio em 1947 sob a orientação do professor Leslie Fleetwood Bates.

Ele trabalhou como “assistant physicist” no Liverpool Radium Institute, onde completou seu treinamento como físico hospitalar, mais tarde ingressando no Hammersmith Hospital e na Post Graduate Medical School em 1953. Junto com C. J. Peachy, em 1959, ele desenvolveu o primeiro scanner isotópico de corpo inteiro do Reino Unido, cujo primeiro diagnóstico foi um tumor cerebral.

Já em 1964 ele publicou suas teorias sobre a ressonância spin dos elétrons e suas possíveis aplicações para fins médicos na prestigiosa revista Nature, embora essas observações iniciais não fossem levadas em consideração por muito tempo. Um ano depois, ingressou na cátedra de Física Médica da University of Aberdeen, onde em sua primeira palestra previu o importante papel que a tomografia por emissão de pósitrons desempenharia no diagnóstico de diferentes patologias médicas.

Mallard levou para a Escócia, por meio de uma assinatura popular e nacional, o primeiro aparelho de tomografia por emissão de pósitrons, localizado no Woodend Hospital, que hoje se tornou o John Mallard PET Centre at the Aberdeen Royal Infirmary.

Durante a década de 1970, o Professor Mallard coordenou uma equipe de especialistas liderada pelo Dr. Jim Hutchinson que desenvolveu um scanner de ressonância magnética (0,04 Tesla) que foi utilizado para estudar animais de laboratório. Essa mesma equipe desenvolveu o primeiro scanner de ressonância de corpo inteiro, que diagnosticou seu primeiro paciente em 26 de abril de 1980.

Durante a década de 1980, sua equipe implementou a técnica de "spin warp imaging" que permitia a aquisição de imagens tridimensionais eliminando os artefatos produzidos pelo movimento do paciente, e no final desta mesma década ele desenvolveu a imagem colorida, mas teve que voltar para a imagem em tons de cinza porque os radiologistas não estavam habituados a trabalhar com cores.

Aposentado da University of Aberdeen em 1992, ele permaneceu ativo, cooperando no desenvolvimento internacional da física médica e da engenharia biomédica. Foi Presidente Fundador da International Union of Physical and Engineering Sciences in Medicine (IUPESM), bem como Presidente da International Organization for Medical Physics (IOMP). A partir desta posição, ele realizou a primeira tentativa de obter o reconhecimento da física médica e engenharia biomédica pelo International Council of Scientific Unions.

Em 1992 foi nomeado Officer of the Order of the British Empire, a IUPESM concedeu-lhe seu primeiro “Fellowship for International Leadership”, e em 2016 a IOMP estabeleceu o “John Mallard Award” que premia o físico médico que tenha desenvolvido uma inovação de alta qualidade científica com aplicação na prática clínica. A American Association of Physicists in Medicine concedeu-lhe a “Landau Memorial Plaque”.

Ele é considerado um dos cientistas que mais contribuiu para o estabelecimento e desenvolvimento da física médica como disciplina acadêmica.

Autor:
Dr. Luis Humberto Ros

 

 

 
   
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